Foto: Agência BrasilVentania expõe falhas na preparação de cidades para eventos extremos
Ventos acima de 100 km/h causaram mortes e transtornos em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Especialistas defendem prevenção, adaptação urbana e protocolos permanentes para proteger a população.
A ventania que atingiu os três estados provocou quedas de árvores, apagões para milhares de pessoas e paralisações no transporte público. No Rio de Janeiro, os alertas sobre os ventos fortes foram emitidos pouco antes do início do fenômeno, na quarta-feira (29), o que gerou questionamentos sobre o monitoramento e a comunicação com os moradores.
Segundo o Centro de Operações da Prefeitura do Rio, o Sistema Alerta Rio enviou um aviso às 14h15 sobre a possibilidade de rajadas durante a tarde. A Secretaria de Estado de Defesa Civil informou que um alerta do Cemaden-RJ foi emitido às 15h30 para regiões como Costa Verde, Sul Fluminense, Baixada Fluminense, Metropolitana, Baixadas Litorâneas e Norte Fluminense.
Para especialistas ouvidos pela Agência Brasil, alertas e previsões não são suficientes sem estruturas preparadas para responder aos eventos. Entre as medidas citadas estão o manejo preventivo da arborização, a modernização da rede elétrica, a atualização de mapas de risco e a revisão de planos de adaptação climática.
A previsão do Inpe e do Inmet indica que o país pode enfrentar, no segundo semestre, chuvas excessivas, secas severas e ondas de calor associadas ao El Niño, com intensidade que pode variar de moderada a muito forte conforme a região. Os especialistas também defendem a criação de abrigos climáticos e a inclusão do risco climático em projetos de infraestrutura.
Eles ainda destacam a necessidade de educação ambiental permanente, campanhas, simulados e atividades escolares para orientar a população sobre como agir diante de ventanias, ondas de calor e inundações. “O desafio agora é construir cidades mais resilientes”, afirmou Pedro Torres, professor da Unesp e integrante do IPCC.