

Drones com granadas cruzam rota de helicópteros em Jacarepaguá
Pilotos que operam no Aeroporto de Jacarepaguá estão preocupados com o risco de colisões após drones usados em ataques entre facções cruzarem o corredor visual de aproximação das aeronaves. O sobrevoo de drones em áreas próximas a aeroportos é proibido pelas regras do Decea.
Pilotos de helicópteros que atuam na região de Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio, passaram a alertar sobre a circulação de drones usados pelo crime organizado. Um dos trajetos identificados cruzou o corredor visual utilizado na aproximação ao aeroporto, etapa em que o tempo de reação diante de obstáculos é reduzido.
Um episódio recente ocorreu na Favela dos Irmãos, em Curicica. Um drone adaptado com uma granada foi empregado em um ataque contra integrantes de uma facção rival, e os estilhaços atingiram a perna de um homem. A Polícia Militar prendeu dois suspeitos apontados como participantes da ação e apreendeu outras granadas caseiras, dinheiro e o equipamento utilizado.
Segundo imagens analisadas pela reportagem, o operador estaria nas proximidades da Gardênia Azul, a cerca de 2,5 quilômetros, em linha reta, do ponto onde a granada foi lançada. A área é disputada pelo Terceiro Comando Puro e pelo Comando Vermelho, apontado como responsável pelo ataque.
Mensagens compartilhadas entre pilotos compararam as rotas das aeronaves com o caminho percorrido pelo drone. De acordo com os profissionais, uma colisão poderia causar danos graves, dependendo do ponto atingido, e o impacto poderia ocorrer a uma velocidade superior a 350 km/h em determinadas fases do voo.
Além do risco à aviação, moradores de áreas disputadas relatam medo e afirmam que drones sobrevoam casas. Em outro episódio, uma granada lançada por drone caiu no telhado de uma creche municipal na Favela do Dique, no Jardim América. O Esquadrão Antibombas foi acionado e detonou o artefato.
Drones são equipamentos permitidos, mas o uso segue regras de segurança e controle do espaço aéreo. Modelos com mais de 25 quilos exigem habilitação da Anac, e as operações devem respeitar as determinações do Decea, incluindo restrições perto de aeroportos e helipontos e o limite de 400 pés nas condições previstas pela regulamentação.
Fonte: Diário do Rio
Informação que importa, direto do Capital Carioca.
Receba as principais notícias e alertas editoriais. Inscrição gratuita e cancelamento a qualquer momento.

