Foto: Agência BrasilTransplante leva 13 pacientes com HIV à remissão da infecção
Dois novos casos foram apresentados durante a 26ª Conferência Internacional da Aids, no Rio de Janeiro. Ao todo, 13 pessoas não tiveram o HIV detectado no sangue após transplantes de células-tronco.
Dois novos casos de remissão do HIV após transplante de células-tronco foram anunciados nesta semana durante a 26ª Conferência Internacional da Aids. Com os registros, chegou a 13 o número de pacientes que não apresentaram vírus detectável no sangue depois do tratamento.
Um dos casos é o de um homem de 21 anos, chamado de “paciente de Kansas City”, nos Estados Unidos. Além da infecção pelo HIV, ele tinha leucemia mieloide aguda. O outro é o “paciente de Essen”, da Alemanha, infectado por dois tipos de HIV e pelo vírus da hepatite B.
Os dois receberam transplantes de células-tronco hematopoiéticas, responsáveis pela formação das células sanguíneas. Os doadores tinham uma mutação genética chamada CCR5 delta32, que impede a ligação do HIV ao correceptor CCR5 e dificulta a entrada do vírus nos linfócitos T CD4+.
Após o transplante, os pacientes interromperam o uso de antirretrovirais para que a resposta ao tratamento fosse avaliada. O vírus não foi detectado por 14 meses no paciente de Kansas City e por 12 meses no paciente de Essen. No segundo caso, houve recidiva da hepatite B após a suspensão dos medicamentos.
Os estudos classificaram os resultados como remissão, e não como cura, porque não é possível garantir que a infecção não volte no futuro. O acompanhamento dos pacientes continuará, com testes mensais no caso de Kansas City.
O primeiro paciente considerado curado do HIV foi Timothy Ray Brown, conhecido como “paciente de Berlim”, que recebeu um transplante de células-tronco em 2007 e permaneceu sem o vírus até 2020.