Moratória de Mauá espalha pânico financeiro no Rio em 1875
Reprodução/Diário do Rio
Economia

Moratória de Mauá espalha pânico financeiro no Rio em 1875

Em 17 de maio de 1875, a Casa Mauá & C. pediu moratória ao Tribunal do Comércio e suspendeu suas transações. A notícia provocou corridas aos bancos e ampliou a desconfiança na praça comercial da Corte.

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Por Redação Capital Carioca · 12 de agosto de 2026 às 02:50
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A informação começou a circular por volta das 10h, quando o Centro do Rio retomava o movimento após o domingo. A casa bancária funcionava na Rua Primeiro de Março, nº 80, antiga Rua Direita, área próxima aos principais bancos, repartições e estabelecimentos comerciais da cidade.

O anúncio ocorreu em um momento de apreensão provocada por dificuldades de outros estabelecimentos. Segundo os jornais da época, depositantes estavam atemorizados e as corridas continuavam. Também circulou o boato de que o gerente do Banco Alemão havia desaparecido, o que aumentou a insegurança, embora a instituição continuasse funcionando.

A suspensão surpreendeu porque o nome de Mauá estava associado a ferrovias, navegação a vapor, estaleiros, iluminação a gás e bancos. Dois dias antes, em 15 de maio, ele havia solicitado ao Banco do Brasil um empréstimo de 3 mil contos de réis, oferecendo ações como garantia, mas a operação não foi aceita.

A crise mostrou a dificuldade de transformar patrimônio em dinheiro rapidamente. Mauá alegava ter recursos para pagar integralmente o passivo e pedia prazo, mas os saques simultâneos pressionavam toda a cadeia de crédito. B. Gavião & C., por exemplo, mantinha um crédito de 500 contos de réis no Banco Mauá para atender às retiradas de seus próprios depositantes.

O caso também chegou ao governo imperial. O presidente do Conselho e ministro da Fazenda, Visconde do Rio Branco, afirmou no Parlamento que precisava medir as palavras para não criar ou ampliar desconfianças. Tesouro Nacional e Banco do Brasil estavam entre os credores de Mauá, levando a dificuldade da casa bancária ao centro da política do Império.

Fonte: Diário do Rio

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