

Iphan aprova prédio residencial no Centro do Rio após 12 anos de discussões
Projeto prevê duas torres residenciais em terreno da Avenida Presidente Antônio Carlos, cercado por três bens tombados. Empreendimento deve ter entre 500 e 700 apartamentos, mas ainda está em fase de detalhamento.
# Iphan aprova prédio residencial no Centro do Rio após 12 anos de discussões ## O que aconteceu
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou a construção de um prédio residencial em um terreno que atualmente funciona como estacionamento na Avenida Presidente Antônio Carlos, no Centro do Rio. A área será incluída no projeto Reviver Centro, lançado pela Prefeitura em 2021.
A aprovação ocorreu depois de aproximadamente 12 anos de discussões, alterações, entraves e propostas diferentes para o local. O terreno fica cercado por três bens tombados pelo Iphan: a Santa Casa de Misericórdia, a antiga sede do Ministério da Fazenda e a Igreja de Santa Luzia.
O empreendimento ainda passa por uma etapa de detalhamento. Entre os pontos que não foram definidos está o número final de unidades, estimado entre 500 e 700 apartamentos. De acordo com Otávio Grimberg, fundador e presidente da SIG Engenharia, proprietária da área, a proposta prevê duas torres residenciais separadas por um espaço livre.
Durante as negociações com o Iphan, foi estabelecido o limite de 64 metros para as duas torres. A altura máxima foi definida com base no prédio da antiga sede do Ministério da Fazenda, localizado em frente ao terreno, também na Avenida Presidente Antônio Carlos.
A área total do terreno é de 79 mil metros quadrados. O projeto passou a prever ainda um vão livre de 21 mil metros quadrados, com o objetivo de ampliar a visibilidade da Santa Casa, na Rua Santa Luzia. Segundo o presidente da SIG Engenharia, essa abertura não fazia parte da proposta original.
Em nota, o Iphan confirmou a liberação do projeto e afirmou que intervenções em bens tombados ou em suas áreas de entorno precisam ser previamente autorizadas pelo instituto. A entidade também informou que novos empreendimentos podem ser realizados nessas áreas quando atendem aos critérios de preservação e não comprometem a ambiência e a visibilidade dos bens protegidos.
O que muda para o morador
Para quem circula pelo Centro, a proposta aprovada prevê a substituição do estacionamento por um empreendimento residencial com duas torres e uma área livre entre elas. O desenho foi apresentado com a intenção de preservar a visibilidade da Santa Casa a partir da região e de contribuir para a valorização do imóvel histórico.
Ainda não há, nos dados divulgados, a definição final do número de apartamentos nem outros detalhes do projeto residencial. O que está estabelecido é que as torres terão limite de 64 metros e que o empreendimento será desenvolvido no âmbito do Reviver Centro.
A área nem sempre foi destinada à moradia. No início do diálogo com o Iphan, a empresa pretendia construir um empreendimento comercial com espaços para escritórios corporativos, incluindo a expectativa de atrair companhias ligadas à indústria de óleo e gás. A proposta mudou ao longo dos anos após alterações no cenário do setor, a queda dos preços do petróleo, a pandemia e o esvaziamento do Centro, segundo os trechos divulgados.
O projeto já foi protocolado na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano. A expectativa apresentada pela empresa é que, após a aprovação, as obras sejam concluídas em um período entre 24 e 30 meses.
A autorização do Iphan está relacionada à proteção dos bens tombados e de seus entornos. A instituição declarou que o tombamento busca preservar o patrimônio cultural edificado e que sua atuação procura garantir a compatibilidade entre novas intervenções e a proteção dos imóveis históricos.
Fonte: Tempo Real RJ
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