A prata que guarda a história dos mestres do Rio
Reprodução/Diário do Rio
Cultura

A prata que guarda a história dos mestres do Rio

Ourives e prateiros do Rio produziram peças para igrejas, famílias abastadas e a Corte, mas muitos ficaram esquecidos. Marcas gravadas no metal ajudam a identificar autores, padrões e a origem das obras.

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Por Redação Capital Carioca · 8 de agosto de 2026 às 22:10
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Uma reportagem da revista Vida Doméstica, publicada em 1950 e preservada na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, investigou os artesãos responsáveis por transformar ouro e prata em objetos para igrejas, irmandades, comerciantes e integrantes da Corte. Entre os nomes citados estava José de Oliveira Coutinho, identificado pela punção com as iniciais JOC.

A atividade dos ourives era relevante no Rio desde o período colonial. Em 1792, havia pelo menos 16 lojas do ramo na cidade, concentradas em uma área que ficou conhecida como Rua dos Ourives. Os profissionais também se organizavam na Irmandade de Santo Elói, ligada à Igreja de Santa Luzia.

As oficinas produziam cálices, castiçais, joias, salvas, baixelas e peças monumentais. A execução podia envolver desenho, modelagem, martelamento, cinzelamento, gravação, fundição, soldagem, polimento e douramento parcial, com a participação de diferentes especialistas.

As marcas gravadas nas peças funcionavam como registros de sua produção. Uma punção podia indicar o mestre responsável, enquanto outras identificavam o teor do metal e os controles pelos quais o objeto havia passado. O ensaiador verificava a liga e conferia se a quantidade de prata atendia ao padrão exigido.

O universo da ourivesaria também se aproximou de outros campos da arte. Entre 1781 e 1783, Mestre Valentim da Fonseca e Silva realizou modelos para grandes lampadários de prata do Mosteiro de São Bento, mostrando a relação entre escultores, entalhadores, fundidores e ourives.

Com a chegada da Corte portuguesa ao Rio, em 1808, aumentou a demanda por objetos de luxo, insígnias e peças destinadas aos palácios. Manuel Inácio de Loiola aparece ligado à execução da coroa de D. Pedro I e de seu cetro imperial, enquanto Carlos Marin, fornecedor da Casa Imperial, executou a coroa de D. Pedro II, produzida para a sagração e coroação do imperador em 1841. Nesse conjunto de mestres está José de Oliveira Coutinho, cuja marca JOC ainda aparece em peças de acervos religiosos, coleções e no mercado de arte.

Fonte: Diário do Rio

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