Júri de PMs acusados pela morte de Kathlen Romeu será em 26 de novembro
Foto: © Rovena Rosa/Agência Brasil · Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
Segurança

Júri de PMs acusados pela morte de Kathlen Romeu será em 26 de novembro

Os policiais militares Rodrigo Correia de Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano serão julgados pela morte da jovem grávida e do bebê, atingidos por tiros no Lins, em 2021. A mãe de Kathlen, Jacklline de Oliveira, pede apoio da sociedade no Tribunal do Júri.

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Por Redação Capital Carioca · 2 de outubro de 2026 às 13:10
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O que aconteceu

Kathlen Romeu foi baleada em 8 de junho de 2021, quando visitava a avó, Sayonara de Oliveira, no Lins de Vasconcelos, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Grávida de quatro meses, ela caminhava com a avó por uma rua movimentada quando as duas foram surpreendidas por disparos. Kathlen e o bebê não sobreviveram.

Segundo a denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, policiais militares atiraram na direção do local onde as duas estavam. Os agentes afirmaram que miravam em bandidos, mas essa versão, conforme os trechos da denúncia citados pela Agência Brasil, nunca foi comprovada.

O julgamento dos PMs Rodrigo Correia de Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano está marcado para 26 de novembro de 2026, às 10h, no Tribunal do Júri. Os dois respondem pelo crime em liberdade e, segundo a corporação, estão afastados de suas funções. A Agência Brasil informou que procurou a defesa dos militares, mas não recebeu resposta até o fechamento da reportagem.

Os agentes também foram acusados de fraude processual na Justiça Militar. Eles chegaram a ser absolvidos, mas a promotoria recorreu, e a 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou os policiais nesse processo.

A família de Kathlen afirma que enfrentou uma longa espera até a denúncia na Justiça Criminal. Também relatou ter acionado a Corregedoria do Ministério Público contra o promotor responsável pela investigação na época. Segundo os familiares, ele teria sugerido que o caso poderia ser arquivado e recomendado a busca por “justiça divina”, em 2022. A Corregedoria-Geral do MPRJ abriu um procedimento administrativo disciplinar, mas o processo foi arquivado por falta de provas contra o promotor.

Jacklline de Oliveira, mãe de Kathlen, e Luciano Gonçalves, pai da jovem, receberam a reportagem em casa e falaram sobre a expectativa para o julgamento. A mãe afirmou que espera encontrar no tribunal a mesma solidariedade demonstrada por pessoas que se indignaram após a morte da filha. “Eu entrarei naquele tribunal com a esperança de que a sociedade civil, aquela que chorou comigo, que teve solidariedade, que se indignou em 8 de junho de 2021, seja a mesma aqui, no dia 26 de novembro de 2026, que continue com a gente”, disse.

Kathlen tinha 24 anos quando morreu e completaria 30 anos no sábado seguinte à publicação da reportagem. Ela havia começado a customizar e vender roupas aos 15 anos, financiado o primeiro apartamento e esperava o primeiro filho. Os pais nunca conheceram o neto, e a jovem não chegou a morar na casa financiada.

O que muda para o morador

Para a família, o julgamento representa a possibilidade de uma resposta judicial sobre a morte de Kathlen e do bebê. Jacklline afirma que a mobilização não se limita à história da filha e defende medidas para evitar que outras famílias vivenciem uma perda semelhante. “A nossa luta é pela memória, reparação e justiça, mas em prol de uma juventude negra, pobre, preta, periférica viva, e do máximo rigor da lei”, declarou.

O caso também é apresentado na reportagem como parte do debate sobre a letalidade policial no estado. Dados da Rede de Observatórios da Segurança do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, publicados em 2021, indicam que uma parcela pequena das mortes cometidas por policiais se transforma em denúncias na Justiça e que uma fração mínima dos casos denunciados resulta em condenações.

Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a polícia fluminense matou 798 pessoas em 2025. O número correspondeu a quase duas em cada dez mortes violentas intencionais registradas no estado naquele ano, que totalizaram 3.890. O levantamento também aponta que 117 pessoas foram mortas pela polícia em uma única ação, a Operação Contenção, o equivalente a 15% do total de mortes policiais de 2025.

O mesmo estudo colocou o Rio de Janeiro na sexta posição entre os estados com maior índice de letalidade decorrente de ação policial no país. No Brasil, ainda conforme os dados citados, as principais vítimas de mortes por intervenção policial são homens jovens, de 15 a 24 anos, de cor negra.

O governo do Rio informou que adota medidas permanentes para reduzir a violência letal e aprimorar a atuação policial, incluindo cursos, treinamentos e atualizações. O Ministério Público Federal, porém, considerou essas medidas insuficientes e defendeu um plano com metas e prazos. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro não comentou as falhas no controle da letalidade policial nem o baixo número de denúncias contra agentes.

Até a data do julgamento, o próximo passo informado nos trechos é a realização da sessão do Tribunal do Júri em 26 de novembro, às 10h. A família afirma que continuará cobrando memória, reparação, justiça e apoio da sociedade civil.

Fonte: Agência Brasil — últimas notícias

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