Feiras do Rio aproximam geração Z do artesanato e da produção manual
Foto: Thiago Lontra · Fonte: alerj.rj.gov.br
Cultura

Feiras do Rio aproximam geração Z do artesanato e da produção manual

A busca por peças originais e pela história por trás dos produtos tem levado jovens a feiras e pequenas marcas no Estado do Rio. Leis estaduais também passaram a reconhecer e incentivar a produção artesanal e os espaços tradicionais de comercialização.

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Por Redação Capital Carioca · 17 de outubro de 2026 às 10:40
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O que aconteceu

A procura por produtos feitos à mão vem ganhando espaço entre consumidores da geração Z, especialmente pela possibilidade de encontrar peças com características próprias. Em vez de itens produzidos em grande escala e repetidos, esses consumidores demonstram interesse por objetos associados ao processo de criação, à identidade de quem produz e à exclusividade.

A escritora Cecile Mendonça, de 25 anos, passou a buscar brincos diferentes depois de adotar um corte de cabelo curto. Ao caminhar pela Praça XV, no Centro do Rio de Janeiro, ela encontrou um modelo artesanal que atendia à preferência por originalidade e descobriu que havia somente três unidades da peça.

Para Cecile, o preço não é ignorado no momento da compra. Frequentadora de brechós, ela afirma que procura fazer escolhas econômicas, mas considera pagar mais quando consegue perceber o trabalho envolvido na fabricação. Segundo seu relato, uma única pessoa pode acumular funções como costurar, divulgar a marca nas redes sociais e executar outras tarefas relacionadas ao negócio.

A avaliação sobre o preço também se altera quando o produto é associado ao tempo de produção. Cecile defende que o valor cobrado por uma peça artesanal deve levar em conta as horas utilizadas para fazê-la, e não apenas ser comparado ao preço de produtos fabricados em escala.

Esse interesse aparece também em dados de consumo. No relatório de tendências para a primavera e o verão de 2026, a plataforma Etsy registrou aumento de 77% nas buscas por bolsas bordadas entre consumidores da geração Z. No Brasil, um estudo do Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro, sediado na Praça Tiradentes, no Centro do Rio, ouviu 2.400 pessoas em todo o país em 2026. O levantamento apontou que o artesanato comercializa significado além do objeto, alterando a percepção de valor dos consumidores.

A descoberta desses produtos também ocorre pelas redes sociais. Giovana Breves, de 18 anos, moradora de Angra dos Reis, na Costa Verde, recorreu ao TikTok para escolher atividades durante uma visita ao Rio, cidade que ainda não conhecia bem. A partir de recomendações publicadas na plataforma, incluiu a Feira da Glória em seu roteiro.

A feira existe há mais de 115 anos e foi reconhecida pela Alerj, por meio da Lei 10.873/25, como patrimônio histórico, cultural e imaterial do Estado do Rio de Janeiro. Giovana esperava encontrar principalmente comida, mas também se interessou pelas barracas de roupas e acessórios. Entre elas, escolheu uma ecobag bordada, que considerou diferente das bolsas com estampas impressas encontradas onde mora.

O que muda para o morador

No Estado do Rio, a produção artesanal é acompanhada por medidas legislativas. A Lei 9.885/22 criou o Programa Estadual de Desenvolvimento da Produção Artesanal e Orgânica, com objetivos relacionados ao incentivo do processo artesanal, à manutenção da geração de trabalho e renda e ao fortalecimento das tradições culturais.

Também está em análise na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro o Projeto de Lei 7.618/26. A proposta pretende instituir uma política estadual de valorização do trabalho manual e dos saberes manuais. O texto é apresentado na fonte como uma proposta em análise, sem indicação de aprovação.

As opções de contato com o artesanato não se concentram na capital. Em Petrópolis, na Região Serrana, feiras e circuitos recebem produtores locais e trabalhos manuais, com itens como crochê, tricô, bordados, costura criativa e bolsas.

Em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, a Feira Finasinha reúne artesãos e trabalhadores da economia solidária. Em agosto de 2026, o município contabilizava mais de 850 profissionais no Cadastro Municipal de Artesãos. O cadastramento já havia permitido a participação de produtores em mais de 150 eventos locais, regionais, estaduais e de outros estados.

Na Região das Agulhas Negras, Resende mantém uma feira dedicada ao setor em seu calendário municipal. Em agosto deste ano, o município reuniu artesãos da cidade e de Itatiaia em uma exposição no Parque das Águas, voltada à valorização da produção regional e à geração de renda. A fonte também cita a Feirarte, em Quatis, e a Feira de Artesanato no Horto, em Porto Real.

Com feiras físicas, divulgação em redes sociais e iniciativas de apoio previstas em leis e propostas legislativas, o artesanato aparece como uma alternativa de consumo associada à originalidade e ao reconhecimento do trabalho manual. Para moradores de diferentes regiões fluminenses, esses espaços reúnem produtores locais e oferecem acesso a peças como roupas, acessórios, bolsas e outros itens artesanais.

Fonte: Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro

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