Ex-jogadoras da seleção levam incentivo ao futebol feminino a escolas do Rio
Foto: © Fernando Frazão/Agência Brasil · Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
Esporte

Ex-jogadoras da seleção levam incentivo ao futebol feminino a escolas do Rio

A abertura do programa Pioneiras nas Escolas reuniu mais de 100 alunas e três ex-jogadoras da seleção brasileira na Escola Municipal Juan Antonio Samaranch, em Santa Teresa. A programação incluiu conversa, fotos e um minitorneio com quatro times femininos.

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Por Redação Capital Carioca · 24 de outubro de 2026 às 12:09
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O que aconteceu

O campo de futebol da Escola Municipal Juan Antonio Samaranch, em Santa Teresa, na região central do Rio de Janeiro, foi ocupado por garotas na tarde da quarta-feira (21). Quatro times participaram de um minitorneio acompanhado por ex-jogadoras da seleção brasileira. Os meninos ficaram na arquibancada durante a atividade.

A programação marcou a abertura do Pioneiras nas Escolas, iniciativa que leva ex-atletas de décadas anteriores para unidades da rede pública de ensino da cidade. Antes dos jogos, mais de 100 alunas participaram de uma conversa em um auditório, fizeram perguntas e tiraram fotos com Marisa Pires, Maria Lúcia Lima e Marilza Martins, conhecidas no futebol como Caju, Fia e Pelezinha.

As estudantes ouviram relatos sobre a trajetória das ex-jogadoras e sobre obstáculos enfrentados por elas, como machismo e preconceito. As atletas chegaram à seleção poucos anos depois de o futebol deixar de ser proibido para mulheres no Brasil. Entre 1941 e 1979, a prática era vetada às garotas com base no Decreto-Lei 3.199, que restringia a participação feminina em esportes considerados incompatíveis com sua natureza.

A proibição foi encerrada em 1979, mas a regulamentação do futebol feminino ocorreu somente em 1983. A primeira seleção brasileira disputou uma competição experimental em 1988, na China. A primeira Copa do Mundo feminina foi realizada três anos depois, também na China, enquanto a estreia do futebol feminino nos Jogos Olímpicos ocorreu em 1996, em Atlanta, nos Estados Unidos.

Durante o encontro, Fia, de 62 anos, contou que enfrentava o preconceito confiando na própria habilidade. “Sempre joguei com menino. Tinha talento. Não queria saber de machismo”, disse às alunas. Ela permaneceu cinco anos na seleção, foi tricampeã continental e participou da primeira Copa do Mundo e da primeira Olimpíada do futebol feminino.

Caju, ex-zagueira de 60 anos, integrou a seleção entre 1988 e 1999. De acordo com o relato apresentado na atividade, foram 43 jogos e 34 vitórias. Ao responder sobre situações marcantes, ela mencionou provocações machistas ouvidas durante as partidas. “Vários torcedores diziam que mulher não servia para jogar futebol”, reproduziu. Atualmente, Caju atua como árbitra de partidas.

O programa é coordenado pela ex-jogadora Duda Luizelli, que também vestiu as camisas do Internacional, de Porto Alegre, e dos clubes italianos Milan e Verona. Segundo ela, o projeto reforça a importância de as mulheres acreditarem em suas capacidades e manterem o foco nos estudos. “O estudo é muito importante porque, mesmo quem for ser atleta, jogadora de futebol, de vôlei, de basquete, terá uma carreira muito curta. Com 38, 39 anos, acabou a nossa carreira e nós temos que dar uma continuidade”, afirmou.

O que muda para o morador

A iniciativa passa a levar esse tipo de encontro com ex-jogadoras da seleção a escolas públicas da cidade, conforme a proposta do Pioneiras nas Escolas. Na unidade de Santa Teresa, a ação combinou conversa com as atletas, registro de fotos e uma disputa esportiva entre alunas. A Secretaria Municipal de Educação é parceira do projeto.

A Escola Municipal Juan Antonio Samaranch é classificada pela Prefeitura do Rio como Ginásio Experimental Olímpico desde 2012. Nesse modelo, o ensino integral é associado ao incentivo à prática esportiva. A unidade atende cerca de 600 estudantes de 11 a 15 anos e conta, além de professores, com treinadores de 19 modalidades esportivas.

A Prefeitura informa que o projeto dos Ginásios Experimentais Olímpicos começou durante a preparação para a Rio 2016 e é considerado um legado olímpico. Atualmente, o Rio de Janeiro tem 12 GEOs. A coordenadora de Projetos Integradores da Secretaria Municipal de Educação, Caroline Guedes, relacionou o Pioneiras nas Escolas à preparação da cidade para ser uma das oito sedes da Copa do Mundo feminina, prevista para ocorrer entre junho e julho de 2027.

Para Letícia Pereira, aluna do 9º ano, de 15 anos, receber as ex-jogadoras na escola foi “um privilégio”. Ela avaliou que a experiência mostra às estudantes que o esporte também pode oferecer perspectivas de futuro. A aluna afirmou ainda que pretende acompanhar os jogos da Copa do Mundo feminina no ano que vem, com o pai.

Fonte: Agência Brasil — últimas notícias

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