Estudo defende formação contínua para professores de áreas Stem
Foto: Agência Brasil
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Estudo defende formação contínua para professores de áreas Stem

Levantamento sobre ciência, tecnologia, engenharia e matemática analisou redes de ensino de seis capitais. Pesquisadores afirmam que infraestrutura deve ser acompanhada de formação constante e integrada ao trabalho docente.

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Por Redação Capital Carioca · 26 de setembro de 2026 às 10:40
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O que aconteceu

O ensino das áreas conhecidas pela sigla Stem — ciência, tecnologia, engenharia e matemática — exige formação contínua de professores, além de investimentos em infraestrutura. A avaliação faz parte do Panorama da Educação Stem no Brasil, levantamento que analisa como esses campos estão sendo incorporados à educação básica brasileira.

Organizado pela Fundação Carlos Chagas, em parceria com o British Council, o estudo reuniu informações de Manaus, Belém, João Pessoa, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba. A pesquisa é apresentada em um relatório de 170 páginas, que também registra desafios e práticas adotadas nas redes municipais das seis capitais.

Sandra Unbehaum, coordenadora do estudo, afirma que a presença de computadores nas escolas não é suficiente para garantir o ensino de Stem. Segundo ela, é necessário investir de forma “profunda e constante” na formação dos profissionais. A pesquisadora defende ainda que essa preparação seja considerada parte da jornada de trabalho dos professores.

O levantamento aponta que muitos docentes atuam em mais de uma escola ou têm número elevado de turmas e estudantes. Por isso, Sandra avalia que a formação não deve ocorrer de maneira pontual nem ficar restrita aos profissionais que conseguem organizar, por conta própria, tempo para estudar. A capacitação também não deve ser exclusivamente a distância, segundo a coordenadora, que destaca a importância da troca presencial em processos aprofundados.

A pesquisa ressalta que computadores, equipamentos tecnológicos, internet e suporte técnico precisam estar disponíveis de maneira equilibrada entre as regiões. Para os autores, a falta de acesso adequado pode ampliar a desigualdade educacional. O relatório também relaciona a educação Stem à preparação dos estudantes para temas atuais, como a inteligência artificial e a busca de soluções para a questão climática.

Entre os desafios identificados estão a resistência de alguns professores às tecnologias, a falta de conhecimento técnico e a insegurança. Em Manaus, o estudo registrou situações em que professores de educação física lecionam ciências ou docentes de ciências dão aulas de matemática por causa da dificuldade de contar com profissionais com licenciaturas específicas. Em Curitiba, a alta rotatividade de professores nos anos finais foi associada à interrupção de trabalhos contínuos desenvolvidos nas escolas.

As seis capitais também apresentaram iniciativas consideradas boas práticas. Em Manaus, jogos e atividades sem dispositivos eletrônicos trabalham lógica de programação e pensamento computacional, enquanto Centros de Tecnologias Educacionais conectam escolas ribeirinhas por satélite. Em Belém, óculos de realidade virtual de baixo custo foram produzidos com fibra de miriti para apoiar o ensino de geometria.

João Pessoa adotou investimentos em infraestrutura e conectividade, além de períodos intensivos de aprendizagem para professores. Em São Paulo, formadores de Tecnologia para Aprendizagem atuam como multiplicadores nas diretorias de ensino, com iniciativas em parceria com instituições externas. Curitiba utiliza os Faróis do Saber como espaços maker, com impressoras 3D e cortadoras a laser, e criou um Farol Móvel para levar recursos tecnológicos às salas de aula.

O que muda para o morador

No Rio de Janeiro, o estudo destacou os Ginásios Educacionais Tecnológicos (GET), iniciativa criada em 2022 para transformar escolas em espaços com abordagem interdisciplinar. A rede municipal conta com 317 GETs e espera chegar a 350 até o fim do ano, atendendo 150 mil estudantes.

No GET Ceará, em Inhaúma, a professora de história Vanini Bernardes Costa de Lima relata que a proposta integra as disciplinas Stem e as artes, formando a abordagem Steam. A unidade tem um “colaboratório”, laboratório maker com impressoras 3D, placas de robótica, óculos de realidade virtual, máquinas de corte e computadores.

De acordo com a professora, os estudantes usam o espaço para resolver problemas reais de forma colaborativa e combinar diferentes áreas do conhecimento. A metodologia também busca ampliar a participação das meninas nas áreas Steam. A estudante Manuela Calixto de Lira Bernardo Abreu, de 15 anos, afirma que as atividades permitem pesquisar, criar projetos e usar ferramentas como a modelagem 3D, em vez de permanecer apenas na teoria.

O secretário municipal de Educação do Rio, Hugo Nepomuceno, diz que os GETs oferecem protagonismo estudantil e atividades práticas por meio de projetos interdisciplinares. Segundo ele, a proposta também aproxima tecnologia e conhecimento do cotidiano das famílias e fortalece a relação entre as escolas e seus territórios.

Fonte: Agência Brasil — últimas notícias

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