Especialistas divergem sobre possível papel de Marrocos na crise em Ceuta
Foto: Agência Brasil
Política

Especialistas divergem sobre possível papel de Marrocos na crise em Ceuta

Uma onda de mais de 50 mil imigrantes chegou a Ceuta nos últimos dias, deixando cerca de 100 mortos. Analistas divergem sobre uma eventual anuência do governo marroquino para a movimentação, enquanto Rabat atribui a crise à disseminação de notícias falsas.

Por Redação Capital Carioca · 4 de agosto de 2026 às 13:00
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Ceuta, cidade espanhola em território africano, recebeu uma onda de mais de 50 mil imigrantes nos últimos dias. O episódio deixou cerca de 100 mortos e provocou diferentes avaliações sobre a participação de Marrocos no fluxo migratório.

O professor da UFRJ Nuno Carlos de Fragoso Vidal e o especialista em Europa José Luís Del Roio consideram que a movimentação de grandes contingentes não ocorreria sem algum grau de conivência ou anuência das autoridades marroquinas. Vidal relaciona a hipótese às tensões entre Espanha e Marrocos sobre o Saara Ocidental, enquanto Del Roio classificou o episódio como “evento programado por forças poderosas”.

Já o professor marroquino Mohammed Nadir, da UFABC, afirmou que não há indícios do envolvimento de Marrocos. Para ele, a crise está ligada à falta de perspectivas da juventude do país, além do aumento do custo de vida, da falta de oportunidades e do acesso difícil à saúde pública.

Segundo apuração do jornal espanhol El País, os serviços de inteligência da Espanha concluíram que Marrocos não planejou a imigração em massa, mas teria permitido a movimentação em seu território e usado a situação politicamente. A omissão foi descrita como um ato de “oportunismo” diante de uma crise já iniciada.

O governo espanhol afirmou que Rabat cooperou para impedir o fluxo e viabilizar o retorno dos imigrantes. O ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, disse que “a grande maioria dos que entraram já retornou a Marrocos”. O presidente de Ceuta, Juan Jesus Vivas, porém, declarou que “Marrocos já demonstrou que não é confiável”.

Em seu primeiro pronunciamento oficial sobre a crise, o governo marroquino atribuiu os acontecimentos à interação de vários fatores e à disseminação de notícias falsas nas redes sociais. O porta-voz do Ministério do Interior, Rachid El Khalfi, afirmou que houve “a instrumentalização tendenciosa” dessas plataformas.

Fonte: Agência Brasil — últimas notícias

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