Arquivo da Alerj reúne documentos de 1856 e enfrenta desafio da digitalização
Foto: Alex Ramos · Fonte: alerj.rj.gov.br
Cultura

Arquivo da Alerj reúne documentos de 1856 e enfrenta desafio da digitalização

O setor de Arquivo da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro preserva atas, processos, investigações parlamentares e registros de diferentes períodos da história fluminense. Cerca de 90% do acervo ainda está em formato físico, e a digitalização é apontada como uma das prioridades da área.

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Por Redação Capital Carioca · 18 de outubro de 2026 às 10:28
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O que aconteceu

O setor de Arquivo da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) preserva documentos relacionados a acontecimentos políticos e administrativos do estado. O acervo reúne atas, processos administrativos, investigações parlamentares e outros registros que ajudam a acompanhar decisões, mudanças institucionais e episódios da trajetória do Parlamento fluminense.

Parte dos documentos é anterior à fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, ocorrida em 1975. O conjunto também inclui materiais ligados ao antigo Estado do Rio de Janeiro, cuja capital era Niterói, à Assembleia Legislativa da Guanabara e à antiga Câmara Municipal do Distrito Federal. A diversidade dos registros é destacada pelo historiador Douglas Libório.

Segundo Libório, o arquivo acompanha diferentes fases da história política e administrativa do Rio de Janeiro. Entre os documentos citados está uma monografia de autoria de Admar Morpurgo, com a síntese de 200 biografias parlamentares da década de 1940. O historiador afirma que o acervo deve ser interpretado por meio de rastros, fragmentos e camadas, devido à variedade de estruturas representadas nos documentos.

O arquivo também guarda registros de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), que permitem consultar a atuação fiscalizadora do Parlamento em diferentes momentos. Outro material citado é o processo de impeachment do ex-governador Wilson Witzel, concluído em 2021, cujos registros administrativos fazem parte da documentação sob responsabilidade da Assembleia.

A diretora Evelin Marinho está à frente do setor desde 2022. Ela relata que só percebeu a dimensão histórica do material ao conhecer os funcionários e os documentos armazenados no Palácio Tiradentes, antiga sede da Assembleia, no Centro do Rio. Evelin afirma que há documentos desde 1856 e que o volume total do acervo corresponderia a 20 voltas no Estádio do Maracanã.

O setor também mantém o conjunto de Pesquisa Legislativa, formado por publicações que registram atividades realizadas ao longo das legislaturas. Esses materiais permitem acompanhar a atuação dos deputados e contribuem para preservar a memória institucional da Alerj e reconstruir a trajetória do Parlamento fluminense.

O que muda para o morador

A principal questão apresentada pela Assembleia é o acesso ao conteúdo. Aproximadamente 90% do acervo permanece em formato físico, o que faz com que grande parte dos documentos dependa de consulta presencial. Os materiais mais antigos estão armazenados no térreo do Palácio Tiradentes. Já o acervo corrente, com documentos a partir de 2021, fica na sede atual da Assembleia, no Edifício Lúcio Costa, também no Centro do Rio.

A digitalização é apontada como um dos principais desafios do setor. Para a diretora, transformar os documentos físicos em arquivos eletrônicos permitiria que pesquisadores, historiadores, jornalistas e a população consultassem parte desse patrimônio de forma mais acessível. Evelin declara que seu objetivo é digitalizar o acervo e disponibilizá-lo em um portal.

Enquanto os documentos permanecem em formato físico, historiadores podem solicitar acesso aos registros. Evelin explica que recebe pedidos de pesquisa, encaminha a solicitação à Assembleia por meio de processo e acompanha o pesquisador até o material. A consulta, portanto, ocorre diretamente no acervo físico, após os procedimentos necessários mencionados pela diretora.

A documentação preservada reúne registros de períodos anteriores e posteriores à fusão de 1975, além de materiais sobre legislaturas, CPIs e o processo de impeachment concluído em 2021. O conjunto permite consultar diferentes momentos da história política e administrativa fluminense, embora a maior parte ainda dependa da presença do interessado nos locais de armazenamento.

Fonte: Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro

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